SÃO FRANCISCO, ESTADOS UNIDOS - Setembro foi mês de IDF (Intel Developer Forum), um dos eventos mais importantes da indústria de PCs. Nele, a Intel e seus parceiros mostram as tecnologias que estão desenvolvendo. É, portanto, uma oportunidade única de ver o que há de novo em termos de pesquisa e desenvolvimento de hardware, bem antes que os produtos que usarão as tecnologias apresentadas cheguem ao mercado.
Esta edição de outono do IDF foi realizada entre os dias 7 e 9, em São Francisco, Califórnia. Aberta por Pat Gelsinger, vice-presidente sênior e executivo-chefe de tecnologia (CTO) da empresa, marca o início de uma nova era: a da plataforma. Conceito que a Intel deve apresentar também no Brasil, já que está confirmada a entrada do País no circuito oficial do IDF.
Não há mais dúvidas: o o futuro é Dual/Multi Core
Mais uma vez, Paul Otellini, presidente e executivo-chefe de operações (COO) da Intel, foi o arauto das tendências. Subiu ao palco para falar sobre a visão da companhia para os próximos anos e o que podemos esperar para os próximos seis meses. Rápido e rasteiro, anunciou o fim da era dos megahertz. A partir de agora, o desempenho das máquinas deixará de ser medida pela velocidade dos processadores, isolados. Passará a valer a combinação de vários deles em uma plataforma, através das tecnologias Dual-Core e HyperThreading.
Os processadores dois-em-um, com mais de um núcleo, começarão a ser realidade já este ano, com o lançamento do Montecito, nome-código do processador Itanium dual-core. Ter mais de um núcleo significa que o processador, na realidade, tem dois ou mais processadores dentro dele, podendo realizar tarefas em paralelo, da mesma forma que ocorre atualmente com computadores que possuem mais de um processador na placa-mãe. Há várias vantagens em se colocar mais de um processador diretamente dentro do próprio processador, como a velocidade de comunicação entre os núcleos (em um sistema multiprocessado tradicional os processadores comunicam-se através da placa-mãe, que não proporciona a maior velocidade de comunicação possível entre eles) e menor custo.
A Intel apresentou um protótipo de servidor com quatro processadores de núcleo duplo. O Windows reconheceu a presença de 16 processadores – cada processador tinha dois núcleos, e cada núcleo usava a tecnologia HyperThreading, que faz o sistema reconhecer cada núcleo como sendo dois processadores, daí o Windows reconhecer cada processador de núcleo duplo como sendo quatro processadores.
Mas a Intel também aposta no crescimento de outra tecnologia para um futuro bem próximo: a WiMax (IEEE 802.16), das redes metropolitanas sem fio (ou seja, uma única antena que atenderá a uma área muito maior do que a tecnologia WiFi IEEE 802.11 (WiFi) podendo cobrir um bairro inteiro, com raio de até 45Km). Na visão da Intel, o WiMax será para a banda larga o que os “celulares” já estão sendo para a telefonia fixa. A empresa aproveitou o evento para apresentar o primeiro sistema WiMax em um único chip.
A tendência dois-em-um proporciona ganhos de desempenho também entre as placas de vídeo
A nVidia aproveitou o IDF para fazer uma apresentação explicando tecnologias atuais, como o modelo Shader 3.0 (já citado na edição de 28 de abril, no teste da GeForce 6800), o módulo MXM, para o upgrade da placa de vídeo de notebooks e as novas tecnologias SLI (Scalable Link Interface) e SDI (Serial Digital Interface).
A tecnologia SLI é uma conexão entre placas de vídeo que permite que os processadores gráficos trabalhem em paralelo, similar ao que ocorre em computadores multiprocessados. Um demo do simulador de vôo profissional Aechelon, usado pelas forças armadas americanas foi usado para provar o aumento de desempenho. Uma placa Quadro FX 3400 produzia 30 quadros por segundo. Colocada junto a outra, ligada via SLI, o desempenho pulou para 60 quadros por segundo. O ponto forte é que não há necessidade de qualquer modificação no software para o funcionamento.
Já a tecnologia SDI é voltada para aplicações profissionais de vídeo, como em estúdios de TV. É uma interface de vídeo profissional. Outra aplicação cogitada pela nVidia é em cinemas digitais. O distribuidor de filmes, em vez de fazer cópias físicas da película, transmitiria o filme via satélite, em tempo real, para o cinema, que então projetaria usando um computador equipado com esta interface. A transmissão seria criptografada.
A empresa apresentou também alguns demos das tecnologias de correção de imagem presente nos processadores GeForce da série 6. Estes processadores de vídeo são na realidade “dois em um”: além do chip gráfico em si, há integrado ao próprio chip um processador de imagens, para a decodificação de vídeo. O que permite a visualização de imagens sem aqueles “quadrados” típicos de quando aumentamos a janela de reprodução e o fim das pausas durante essa reprodução, o que é muito comum de ocorrer especialmente se o processador da máquina não for tão rápido.
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