quinta-feira, 28 de julho de 2011

Biometria: prevenir, não remediar

Há anos as instituições financeiras têm corrido atrás de soluções mais confiáveis para a identificação de clientes. Senhas e assinaturas "analógicas" apresentam lá as suas falhas e podem ser substituídas - só não o foram ainda devido à pequena oferta de produtos e ao preço dos poucos que existiam. Se depender, no entanto, da oferta de soluções, em breve será possível, através de um único olhar 43, por exemplo, acessar a conta corrente.
Durante o Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (CIAB), que aconteceu na semana passada, em São Paulo, três estandes (DBA, Politec e Itautec-Philco) chamavam a atenção dos visitantes por produtos capazes de reconhecer pessoas por meio do que elas são - íris, pontas dos dedos e geometria da face são apenas três exemplos do que já é possível ser usado atualmente como ferramenta de reconhecimento.
No estande da DBA, a estrela foi o Zyt, criado pela Tauá Biomática. O aparelho, voltado (por enquanto) para o mercado corporativo, pesa menos de 300 gramas e é uma solução completa de hardware e software que combina biometria (usa um leitor de impressões digitais) com certificação digital e smartcard.
Além de leve, o Zyt é simpático e intuitivo. O hardware criptográfico, que elimina o uso de senhas e roda em Linux, tem um visor de cristal líqüido que permite ao usuário acompanhar toda a operação, seja ela depósito bancário ou transferência de valores, entre outras. Um detalhe interessante: ele permite a assinatura de documentos feitos em Word, por exemplo.
- É possível assinar documentos, imagens, contratos de câmbio, serve para qualquer aplicação do governo, para qualquer transação que exija um nível mais alto de segurança - diz Márcio Campos de Lima, diretor da Tauá Biomática, que dá uma boa notícia: já há estudos para o desenvolvimento de um Zyt doméstico, para acesso a internet banking, entre outras aplicações de segurança.
Com cerca de US$ 1,5 milhão gastos em dois anos de pesquisa para o desenvolvimento do produto, o Zyt está em processo de certificação e já é objeto de estudo de grandes bancos privados.
Reconhecimento atravésda íris: coisa de filme
Também durante o CIAB, a empresa Politec demonstrou o Identity Management, que permite a identificação de pessoas através das suas íris, eliminando senhas e impressões digitais. Segundo geneticistas, a íris de um ser humano é única e ninguém pode "cloná-la" - segundo a Politec, as chances de duas íris serem iguais são de uma em milhares de quatrilhões. Assim, especialistas de segurança consideram este tipo de biometria a mais confiável, embora ainda seja muito cara.
O software para identificação via íris contém algoritmos que transformam a imagem da íris num código. O sistema de reconhecimento da Politec acopla câmeras de autenticação desenvolvidas por empresas como LG Electronics e Panasonic. O equipamento não usa laser ou quaisquer outras luzes danosas aos olhos. O produto é capaz de captar a imagem da íris em uma distância de até 53cm.
Entre os clientes da Politec que já adotaram o reconhecimento pela íris estão o Departamento de Estado dos EUA, o Exército e a Marinha americanos, além do Children National Medical Center, todos nos EUA.
A Itautec-Philco conseguiu impressionar os visitantes do CIAB ao provar que é perfeitamente possível identificar uma pessoa através da geografia de sua face. É que a estrutura óssea é única. A face tem 32 diferentes pontos de identificação. A senha, neste caso, está... na cara.

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